hora de esvaziar a mente

19:39

Oi, como vocês estão? Gosto daqui porque parece que converso comigo mesma, mas sei que tem alguém aí que para pra ler os posts de vez em quando, tipo você. Sabe quando o seu celular avisa que o cachê do app tá cheio e você precisa fazer uma limpeza? Pois foi assim que me senti saindo de 2023, e não demorou muito pra entender que eu precisava de um tempo fora desse tumulto online pra voltar para o lugar. Entre ausências e muita presença, decidi assistir "O Meu Último Show" na Netflix. Assistindo ao último show do Avicii, me bateu uma nostalgia, e de lá (2015, 2016, 2017) até 2020, eu sinto que as coisas eram mais genuínas. Da pandemia até agora, além de tudo ficar mais acelerado, perdemos a autenticidade.

Eu já estava saindo de um momento em que produzia de maneira automática. Na internet hoje em dia, e levando isso como profissão, você faz muitas vezes o que precisa ser feito, mas, em um determinado momento, eu vi que nada do que eu estava fazendo era o que eu queria. Era sempre o que precisava ser feito, e as poucas vezes em que eu fazia algo real, de coração, sem pensar em comercial, não era tão bem-vindo. Não tinha os likes, as visualizações... então você acaba voltando para o automático: produzir o que está em alta, o que as pessoas gostam de ouvir, o que é popular. E eu parei. Não conseguia mais extrair ideias para roteiros. Tudo o que eu via era em excesso e cansativo: "não vou fazer isso, mais uma chata falando do mesmo assunto". Então diminui o ritmo de produção; uma ou duas postagens por semana soam como desleixo. Lá, você precisa entregar um conteúdo de alta qualidade todos os dias, mesmo que isso custe horas de brincadeira com a sua filha, o livro que você quer ler, a novela que você quer assistir. Resumidamente? A sua vida, é isso que custa.

Assim, me tornei mais espectadora do que produtora de conteúdo. E, meu Deus, em tão pouco tempo, isso tomou completamente minha memória. Acúmulo de conteúdos, informações superficiais, imagens e por aí vai. De repente, tudo me irritava, me dava dor de cabeça. Logo, abria o feed e "meu Deus, a mesma música 300 vezes". E eu não os culpo por isso. Somos só ratos dentro de uma roda: quanto mais corremos, mais ficamos cansados e não chegamos a lugar algum. Mas sempre tem alguém que faz com que você acredite que você vai SIM ficar rica de maneira genuína, fácil e honesta na internet.

Um belo dia, minha mente pifou e eu decidi parar de rolar o feed. Deletei todos os aplicativos do celular e deixei apenas o Instagram no iPad, porque tinha uns 3 trabalhos para entregar, mas, na minha mente, "vamos postar e sair correndo". Foram poucos dias — uma semana — e, incrivelmente, consegui fazer coisas que não fazia antes por sempre estar com o celular na mão. Terminei de ver YOU, colori um pouco, comecei um livro, um projeto e, o mais importante, descansei. Se eu te disser que o cachê do meu app tá 100% limpo, eu estarei mentindo. É viciante viver sem internet, mas essa é a minha profissão. Ainda tô aqui, tentando recalcular a rota para tornar as coisas mais autênticas, genuínas e prazerosas.

Foi por isso que voltei aqui, o meu ponto de partida, meu refúgio, onde tudo começou. Aqui, sem precisar ter segundos certos, superprodução, números para performar... é só eu sendo eu. Se você chegou até aqui e tem o privilégio de ter um trabalho estável, uma formação e uma vida vivida sem ser postada, parabéns!



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